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Há cerca de um ano atrás, escrevi um artigo intitulado: “Delphi ou VB: Qual é o melhor?”, onde eu fiz um retrospecto comparativo dessas duas ferramentas de desenvolvimento, mostrando as principais características de cada uma delas e enfatizando que uma discussão sobre isto não poderia ser conduzida do ponto de vista da paixão por uma ou outra ferramenta. Ao final do artigo, dizia que essa “polêmica” poderia se estender infinitamente, com a chegada do Delphi 7.
Pois bem, no início deste ano a Borland International lançou a mais nova versão do Delphi: o Delphi 8; aliás, prezados leitores, o nome oficial desse novo Delphi é Borland® Delphi™ for the Microsoft® .NET Framework, ufa! Estranho, muito estranho, não é mesmo!? Para a comunidade Delphiista (pelo menos com TODOS aqueles que tenho conversado a respeito) foi a mesma sensação sentida por um boxeador que está em plena luta no ringue e, de repente, seu corner joga a toalha. Não estou querendo dizer com isto que a Borland “jogou a toalha” na disputa pelo mercado de desenvolvimento com ferramentas RAD, sepultando de vez a disputa com o VB pelos corações e mentes dos programadores; mas que parece, parece! O nome “Delphi 8” (esperado pelos programadores Delphi) não aconteceu; aliás, o mesmo ocorreu em relação ao esperado VB 7; mas isto já é outra história.
Será que podemos entender a atitude da Borland com essa guinada de 180 graus, em relação a um produto que é o seu carro-chefe de vendas no contexto de desenvolvimento de aplicações? Isto pegou muita gente de surpresa, pois mesmo sendo a plataforma .NET uma promessa (aliás, uma boa promessa) em termos de criação de aplicações para a Internet, e mesmo que a comunidade Delphi esperasse algo neste sentido (o Delphi 7 já prenunciava isto), a decisão foi radical demais.
Estou muito à vontade para dizer isto, pois fui iniciado no VB; um VBista de primeira hora. Comecei aprendendo VB com os famosos livros “Aprenda VB em x dias...”, e sempre o defendi dos academicistas que insistiam em dizer que ele era uma brincadeira, e não uma linguagem. Mais tarde, entretanto, me encantei com o Delphi, quando descobri sua incrível capacidade de criar aplicações baseadas na tecnologia OOP (Object-Oriented Programming) e com a sua enorme variedade de componentes. Desde então não tenho apenas uma ferramenta favorita para desenvolver aplicações for Windows, mas duas: o MS-Visual Basic e o Borland Delphi (ou seria MS-Delphi, de acordo com alguns VBistas?). É claro que todos nós entendemos que, tal como aconteceu com o Windows (desacreditado no início), mas que se afirmou definitivamente como padrão de interface gráfica, a plataforma .NET também tem tudo para ser um sucesso.
Mas, será que devemos migrar todas as nossas aplicações para ela agora, desmontando tudo o que já está pronto e funcionando? Decisões gerenciais à parte, o que está incomodando os programadores Delphi (mais radicais) é o fato da ferramenta trazer, oficialmente, o nome “Microsoft”.
Isto está produzindo as inevitáveis “chacotas” por parte dos programadores VB, fazendo com que alguns acreditem (mesmo) que o VB sempre foi superior ao Delphi; tem gente até pensando que a Microsoft comprou a Borland (!).
De acordo com o Sr. Corbin Dunn, um dos responsáveis pelo novo Delphil, a Borland pretende com essa nova versão, acirrar mais ainda a concorrência com o VB.NET, oferecendo suporte às aplicações durante toda a vida útil do aplicativo (revista ClubeDelphi - edição 48 - pág. 38). Mas será que dá para competir com a Microsoft no seu próprio terreno, ainda mais que o VS.NET já está há mais de dois anos no mercado? Não seria melhor resolver, primeiramente, o problema dos desenvolvedores que gostariam de ter uma ferramenta RAD rodando no Linux? E para onde vai o Kylix? Vai sair uma nova versão dessa ferramenta que prometia ser um “Delphi for Linux? Será que não seria melhor lançar um Delphi 8 isento daquelas terríveis mensagens de erro do tipo“exception xxxxx...” que não esclarece nada, uma vez que alguns desses erros são devidos ao sistema operacional?
Conversei com um profissional muito experiente em Delphi e Java, e ele de disse que trabalhar com o Delphi 8 (perdão leitores, Borland® Delphi™ for the Microsoft® .NET Framework) é mais difícil do que entender a Teoria do Campo Unificado, proposta por Einstein. Fui instalá-la e pude constatar isto; pois primeiramente é preciso instalar a “camada” Framework.NET e depois a ferramenta propriamente dita. É claro que essas dificuldades podem (e serão) sanadas com o tempo, mas a continuidade dos produtos Borland Delphi foi quebrada radicalmente. Eu não sou analista de mercado, apenas professor, programador e admirador nato do VB e do Delphi, mas ficou a sensação de que não teremos mais um Delphi 8, Delphi 9, Delphi 10, etc, isentos de bugs e com um help decente e mais esclarecedor.
De tudo isto, caros leitores, fica a seguinte questão: será que ainda tem sentido a polêmica Delphi x VB, ou teremos uma situação em que num futuro próximo alimentaremos um “funil” com uma “Linguagem Qualquer” e teremos como produto um MS-Esperanto prontinho para a Internet? Se isto realmente acontecer, que me perdoe os Delphiistas, mas a expressão MS-Delphi vai pegar.
Mário Leite
Professor do CESUFOZ (Foz do Iguaçu) e da UNIGUAÇU (São Miguel do Iguaçu), graduado em Engenharia (PUC/RJ), especialista em Engenharia (PUC/RJ) e em Análise de Sistemas CESUMAR - Maringá/PR) e mestre em Engenharia de Produção (UFSC).
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